sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Tributo á memória do mestre Edward Leão

Comentário

Em “Lágrimas” o poeta vislumbra em cada gota o brilho de uma esperança. Num tempo em que as lágrimas era quase que um privilégio feminino o mestre diz: “ Lágrimas ? Verto-as . . . verto-as e, no entanto, sou homem - pobre filho da desgraça - “

JGL



LÁGRIMAS


Lágrimas ? Verto-as . . . verto-as e, no entanto,
sou homem - pobre filho da desgraça -
e quem no mundo existirá que passa
sem ver correr a linfa do seu pranto ?


Ninguém. Por isso eu choro. A negra massa
que forma a nuvem não se extingue enquanto
não descarrega do enfunado manto
aa água que cai em flocos de fumaça.


Choro e sou homem. Quem, dirá que um homem,
sejam quaisquer as mágoas que o consomem,
volte aos papéis ingênuos de criança !


Mas, a lágrima às vezes me consola.
E em cada gotas que na face rola

vejo outra vez brilhar uma esperança.

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