sábado, 23 de julho de 2011

Comentário

No dia 3 de março de 1969 foi inaugurado oficialmente um novo estabelecimento de ensino em Raul Soares ao qual foi dado o nome de Edward Leão, (Ginásio Comercial Prof. Edward Leão, para alguns, e Colégio Prof. Edward Leão, para outros), homenagem ao grande líder do ensino em nossa terra.
56 candidatos tinham prestado os exames de admissão, nos dias 20, 21, 22 e 24 de fevereiro de 1969, conforme notícia publicada no jornal “Folha da Mata“.
Os fundadores da casa de ensino indicaram para a sua direção o contabilista Éder Ribeiro.
O poeta Gonçalves da Costa festejou o acontecimento publicando no jornal “Folha da Mata” N.º 68, de 3 de março de 1969, uma crônica sob o título “Mais uma unidade Educacional em Raul Soares”. A “Folha da Mata” circulava sob a direção de Sílvio Nogueira de Castro, político e empresário; tendo como Diretor Secretário a senhora Idalina Lanna Rios, professora e poeta de rara inspiração e Diretor Comercial Maria da Cunha Pinto.
Não temos dúvida de que a motivação maior para a manifestação do poeta foi, mais uma vez, prestar uma homenagem a Edward Leão, a expressão maior da intelectualidade em Raul Soares.

José Geraldo Leal
Rua Rufino Rocha -64
35350- 000 - Raul Soares (MG)


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Planta-se no final do percurso entre o abstrato e o concreto, mais uma realização, de um conjunto de vontades altruístas, voltadas para o futuro de Raul Soares e de sua mocidade representativa.
Realidade digna de encômios, pela sua finalidade intrínseca, pelo nome escolhido para sua bandeira, Edward Leão foi um Academus moderno, senhor de vastos jardins, onde cultivava e cultuava as flores da alma e do intelecto.
Escolha feliz, conseqüência da lógica histórica. . . Vemos sempre, por aí afora. Abrigos São Vicente de Paulo, Corais Santa Cecília, Grêmios de Poesia Luiz de Camões, vemos agora um Educandário Edward Leão. . . O soberano ligado ao seu reino, o santo ao seu altar, o jardineiro às suas rosas.
Nascido em Tocantins, nesse Estado, o nosso Patrono Edward Leão bem cedo se transferiu com sua família para este Município, onde, ao lado de suas atividades de Funcionário da Justiça, se dedicou ao Magistério, durante anos e anos, dando-se em holocausto à educação da mocidade que o empolgava, nesta terra que adotou para a vida e para a morte. Foi ele um grande educador e paladino, e a inscrição de seu nome em uma Casa de Ensino constitui ao mesmo tempo um reconhecimento e uma aureola.
Castro Alves cantou : “Bravo! A que salva o futuro ? fecundando a multidão! . . .” Sim! Bravo! a quem se entrega de coração `grande tarefa de ensinar, de insuflar nas almas a luz do conhecimento, de dirigir mil vistas jovens para os grandes horizontes . . . O educador, artífice do magistério, o que se move aquém das esferas superiores do Ensino, é como o construtor de bases para s grandes edifícios, é como um João Batista a preparar caminhos . . . E Edward Leão foi assim. E o múnus do ensino era para ele um sacerdócio. Transfigurava-se quando ensinava. Perfeito conhecedor de todas as matérias do ciclo, dominava-as e, quando necessário, prelecionava em todas elas, como um apóstolo, tentando fazer o milagre de, com mãos invisíveis, depor tudo o que sabia na mente dos seus alunos. Morreu cedo, porém teve a satisfação de ver muitos daquelas a quem levara pela mão até as portas do Grande Templo, dele saírem ostentando a láurea desejada.
Feliz escolha, repetimos. Ele fez jus ã homenagem. E que da nova célula educacional saiam elementos que a dignifiquem e recomendem, sob o estandarte do grande Patrono escolhido, e que possam partir felizes em novas arrancadas para o Saber.
Nossas felicitações ao novo Templo de Ensino, bem como a todos aqueles que, ensinando ou aprendendo, irão dar-lhe vida, irão torná-lo coisa viva, corpo vivo, sangüíneo, palpitante, como o barro primitivo após o toque dos dedos divinos.

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